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19 agosto, 2007

O desespero de certa esquerda

Certa esquerda está a ficar sem causas. Certa esquerda já não sabe porque luta, onde luta, para quem luta e como luta.

Certa esquerda está perdida. Perdida pela ambição de não encontrar resposta no eleitorado aos mitos históricos e actuais que pretende impor como base de realidade presente e futura.

Certa esquerda, incapaz de se renovar, de encontrar soluções e propostas volta-se para o piorzinho da acção política: o incentivo à luta fora da legalidade e imposição pela força de pontos de vista é sintomático da perda e incapacidade de encontrar modos vencedores no conflito democrático.

Porque raio, defende Miguel Portas os pseudo ecologistas, pseudo activistas que destruiram o milheiral? Que sintoma mostra claramente? Que outras formas de luta irá incentivar futuramente?


"Pelo contrário, simpatizo com movimentos que sejam capazes de fazer saltar para o debate público os “pontos negros” da nossa civilização ínovando nas acções, se necessário nos limites da lei."


Ai votos que fogem cada vez mais ao Bloco de Esquerda. Ou assistiremos à conversão em outro tipo de organização política não preocupada com a democracia mas sim com a imposição pela força dos próprios pontos de vista? Que nome se dá a isso nos USA?

E depois queixa-se da perda de espaço da esquerda. Mas afinal porque será que perde espaço?

21 julho, 2007

Israel liberta 255


Nada melhor para lutar contra o terror que libertar 255 potenciais terroristas. Ou então não o eram e estavam presos há anos nas prisões israelitas. Inocentes claro. Todos eles agradecem agora a Israel e estarão prontos para defender o regime israelita com a mesma força com que defenderão a Fattah.

A guerra contra a lógica continua o seu curso.

11 julho, 2007

The Great US of A

Vale a pena ir acompanhando a situação política a a reflexão dos media e comentadores nos EUA.

A situação é grave do ponto de vista da autoridade governativa e do respeito pelo sistema político. A administração Bush caiu no quase total descrédito e é quotidianamente criticada e até mesmo ridicularizada de modo genérico.

Agora que se assumiu a inevitável derrota nas próximas eleições pelo conservadores republicanos e se aproxima a vitória dos conservadores democratas, toca "bater no ceguinho". Está aberta a época de caça e o governo é a peça a ir abatendo.

A democracia vive, aplica-se na descoberta e publicação dos disparates feitos pela talvez pior administração que os EUA já tiveram.

Bush é o palhaço a que se acha graça, Cheney o palhação sem piada.

A própria CNN já abriu as comportas aos critícos e é ela própria criticada por ter activamente contribuído para a manutenção da administração estando ao serviço dos interesse e lobbyes que permitiram e apoiaram a palhaçada.

Oxalá os americanos mergulhem fundo nas implicações da actual crise e criem as correcções necessárias para evitar que o sistema repita vergonhas semelhantes.

01 julho, 2007

Eleições para a Câmara de Lisboa


Os slogans dos vários candidatos apresentados nos vários placard afixados pela cidade são de gritos. Mas de Horror! Quem foram os copy iluminados capazes de criar tais pérolas da comunicação? Será o mesmo?


Três exemplos. 

Helena Roseta: Sabe quanto custou este cartaz?

Sá Fernandes: Se houvesse mais Zés, havia menos carros.

Telmo Correia: Falar Claro, Fazer Bem.

Procurem por aí e encontram outros exemplos. Será um concurso pelo pior slogan? 

Fernando Negrão também vai bem lançado.

27 junho, 2007

"os partidos da oposição já têm direitos a mais"


Pioneiro na arte de manutenção no poder "ad eternum" o PSD Madeira continua a seguir a norma sugerida pelo PS do continente, Inovar, Inovar e Inovar.

O povo madeirense, satisfeito com a liderança despotó-esclarecida, renova maiorias absolutas e contente, apoia o eficiente governo regional que faz brilhar o dourado das bananas insulares com o pó de ouro enviado do continente.

Para quando o estouro?

E o nosso marisco açoreano? Cavaco continua calado?

22 junho, 2007

José Sócrates e o Portugal profundo



Na queixa-crime contra o autor do blog Do Portugal Profundo, que pensa ganhar o primeiro-ministro?

Calar o cidadão, que é incomodativo? Punir o cidadão por ter levantado uma falsa suspeita? Ou intimidar quem quer que pense no futuro questionar os representatens políticos por factos relevantes do seu passado público ou privado?

Recordo o acórdão em que o jornal Público e o Sporting estiveram recentemente envolvidos. Aí, a veracidade dos factos não foi relevante para a imposição da indemnização a que foi condenado o jornal.

Tentará Sócrates uma acção semelhante?

Corram, patrocinadores da luta contra a injustiça, em socorro do autor de Do Portugal Profundo. Porque é uma boa causa. Perder será uma vitória da democracia e um grande favor ao país, por chamar a atenção para a injustiça de uma lei que até pode ser justa, mas mal usada pode amordaçar a nossa liberdade e, sobretudo o nosso direito de conhecer quem nos governa.

20 junho, 2007

Tudo bons rapazes / The Good Fellows

O envolvimento americano no apoio à Fatah tem implicações que "cavam mais fundo" o actual problema internacional criado desde o 9/11.

Bush, ao incentivar o envolvimento no médio-oriente condiciona fortemente a margem de manobra do seu sucessor. Manter artificialmente o regime palestiniano implicará forte ajuda económica, apoio militar, negociações continuadas com Israel, que não deixará de usar o controlo da política palestiniana para ganhar espaço nos territórios ocupados assim dando bastante mais problemas à próxima administração americana. A relação com os vizinhos, Líbano, Síria, Irão, Egipto, também será mais difícil de gerir.

Que faria o sucessor de Bush nas próximas eleições para reverter o esquema de presença militar no golfo pérsico e médio-oriente? A partir de agora tem menos liberdade. Foi mais eficaz a manobra que mandar mais trinta mil soldados para o Iraque.

Manobra estúpida de Bush? "Au contraire " muito inteligente segundo os fins da agenda neo-conservadora. Da agenda enconómica. Porque da política, Bush não quer saber.

Esta atitude, condiciona muito na política internacional e na economia mundial. O preço do petróleo passa por aqui, a taxa de juro americana, a europeia, o emprego e o desemprego europeu.

Blair, Sarkohzy, Durão(!) previsivelmente nada farão para inverter a situação. Os custos da “crise” "petrolífera" continuarão a ser pagos por nós. Os lucros, a ser ganhos pelas empresas americanas, europeias, russas e chinesas, que beneficiam da flutuação dos stocks de um recurso que não é assim tão escasso e tem preço artificial. Basicamente, o que fizeram desde a invasão do Iraque, foi aplicar a lógica de preço do mercado diamantífero ao mercado do petróleo. A artificialidade da manifestação da oferta, apresentada como externalidade, quando são os próprios agentes do mercado a gerir as condições em que a externalidade é produzida.

Falsificação.

Esta é a globalização, controlada, falsificada, errada, em que nós participamos apenas como consumidores, sem qualquer poder.

Fraude. Quando metermos gasolina da próxima vez, devemos pensar: "nã, não temos nada com isso".

Entretanto, vangloria-se a globalização, a que diz respeito a abertura de mercados, livre-concorrência, competição e deslocalização das produções, como se fosse real.

Não, a real, é esta, em que pagamos os lucros aos "hustlers" enquanto pensamos que é o mercado internacional a funcionar em função da escassez do recurso petrolífero.

Simpaticamente, o estado portugês, aproveita a onda e surfa na crista do consumidor, mantendo a flutuação do imposto percentual sobre os combustíveis.

Tudo bons rapazes.