O envolvimento americano no apoio à Fatah tem implicações que "cavam mais fundo" o actual problema internacional criado desde o 9/11.
Bush, ao incentivar o envolvimento no médio-oriente condiciona fortemente a margem de manobra do seu sucessor. Manter artificialmente o regime palestiniano implicará forte ajuda económica, apoio militar, negociações continuadas com Israel, que não deixará de usar o controlo da política palestiniana para ganhar espaço nos territórios ocupados assim dando bastante mais problemas à próxima administração americana. A relação com os vizinhos, Líbano, Síria, Irão, Egipto, também será mais difícil de gerir.
Que faria o sucessor de Bush nas próximas eleições para reverter o esquema de presença militar no golfo pérsico e médio-oriente? A partir de agora tem menos liberdade. Foi mais eficaz a manobra que mandar mais trinta mil soldados para o Iraque.
Manobra estúpida de Bush? "Au contraire " muito inteligente segundo os fins da agenda neo-conservadora. Da agenda enconómica. Porque da política, Bush não quer saber.
Esta atitude, condiciona muito na política internacional e na economia mundial. O preço do petróleo passa por aqui, a taxa de juro americana, a europeia, o emprego e o desemprego europeu.
Blair, Sarkohzy, Durão(!) previsivelmente nada farão para inverter a situação. Os custos da “crise” "petrolífera" continuarão a ser pagos por nós. Os lucros, a ser ganhos pelas empresas americanas, europeias, russas e chinesas, que beneficiam da flutuação dos stocks de um recurso que não é assim tão escasso e tem preço artificial. Basicamente, o que fizeram desde a invasão do Iraque, foi aplicar a lógica de preço do mercado diamantífero ao mercado do petróleo. A artificialidade da manifestação da oferta, apresentada como externalidade, quando são os próprios agentes do mercado a gerir as condições em que a externalidade é produzida.
Falsificação.
Esta é a globalização, controlada, falsificada, errada, em que nós participamos apenas como consumidores, sem qualquer poder.
Fraude. Quando metermos gasolina da próxima vez, devemos pensar: "nã, não temos nada com isso".
Entretanto, vangloria-se a globalização, a que diz respeito a abertura de mercados, livre-concorrência, competição e deslocalização das produções, como se fosse real.
Não, a real, é esta, em que pagamos os lucros aos "hustlers" enquanto pensamos que é o mercado internacional a funcionar em função da escassez do recurso petrolífero.
Simpaticamente, o estado portugês, aproveita a onda e surfa na crista do consumidor, mantendo a flutuação do imposto percentual sobre os combustíveis.
Tudo bons rapazes.