06 junho, 2007

O Eu e a Liberdade

- A minha liberdade acaba onde acaba a minha liberdade. Os outros têm plena liberdade de tentar restringir a minha liberdade, sempre que por essa se sintam limitados.
Posição neo-liberal: na savana cada um dos animais depende de si e compete-lhe ser o mais apto na luta pela sobrevivência. A responsabilidade é de cada Eu que come quanto pode ou consegue. Quem não consegue pode ser comido.

- A minha liberdade acaba onde acaba a liberdade dos outros. Os outros e eu temos a liberdade plenamente definida e restrita em completo acordo mútuo:
Posição socialista: na savana cabe a todos os animais decidir como é feita a competição, quem e quanto cada um pode comer. Os que não conseguem devem ser ajudados pelos outros.

- A minha liberdade começa onde acaba a dos outros. Eu e quaisquer outros sabemos sempre em consciência onde estão os limites da liberdade de cada um.
Posição liberal-social: na savana, cada animal é livre e responsável mas respeita sempre o limite dos outros não comendo cada um mais do que necessita. Os que não conseguem podem contar com alguma simpatia por parte dos outros.

- A minha liberdade é absoluta. A liberdade dos outros é relativa. Os outros são livres apenas quando estão incluídos no mEu conceito de liberdade.
Posição ultra-liberal: de imposição da minha liberdade aos outros, jeitosa para impor democracias e o nosso capitalismo. Usa como pano de fundo ideológico a primeira definição de liberdade: a neo-liberal. Já não interessa a savana. Não há animais responsáveis. O Eu está fora do ecosistema, não pensa em si próprio como animal, come tudo sem limites e pensa apenas em satisfazer a gula do Eu.

05 junho, 2007

Namastè

Bush diz que a "guerra fria terminou"

Pois agora é guerra quente. No:
Iraque, Afeganistão, Palestina e Líbano, Sudão, al-quaeda, etc e mais todos os outros sítios onde os jovens americanos vão aquecendo o fundo das calças enquando brincam ao Rambo e os generais vão servindo a indústria armamentista americana com novas necessidades estratégicas e fundamentais para a segurança universal.
E como está quente demais, toca a fabricar mais gelo colocando mais mísseis à porta da Rússia.
Bush é realmente sobredotado como argumentador político. Putin deve apreciar muito as desculpas fornecidas para justificar a musculação do seu regime.
"A democracia por um canudo"... como se diz em russo?

Tal como Kennedy não devia ter temido os mísseis em Cuba..


Bush afirma a Putin que Moscovo não tem que temer a extensão do Sistema de Defesa Antimíssil (MDI, na sigla em Inglês) à Europa, uma vez que se trata de um sistema "meramente defensivo".
Esta leva o prémio do "Façam-me muitas cócegas que eu talvez acredite e ria!" E uma nomeação com sérias possibilidades de vencer para "Tem tanta piada que até talvez possa morrer a rir".

Procurador diz que país está cheio de arguidos inocentes


(....)Hoje, o país está cheio de arguidos inocentes (ao lado, evidentemente, de culpados).(....)
Cada vez percebo menos...
Ou o país está cheio de inocentes arguidos? Ou será que cada vez mais arguidos estão menos inocentes? Ou estarão cada vez mais arquidos cada vez mais inocentes? Ou cada vez mais inocentes são cada vez mais arguidos? Ou mais arguidos são mais inocentes?
Realmente, o problema não deixa de ser apenas e só do sr. Pinto Monteiro. Tínhamos antes um procurador que falava demais, inocentemente. Agora temos um que também inocentemente diz absurdidades como esta? Mas afinal o problema de arguir inocentes não é do Procurador? E inocentar culpados não é seu problema também? Porque se queixa de algo que só depende de si?
Ou estará a fazer algum favor a alguém agora que se fala nos arquidos autarcas?
Se calhar o Sr. procurador queria dizer:
Hoje, o país está cheio de arguidos e alguns são, indecentes, ao lado, evidentemente, de inocentes).

04 junho, 2007

Nós não vivemos no portugal dos pequeninos


o portugal dos pequeninos é que vive em nós.
Seria bem mais fácil se vivessemos lá... bastaria mudar de país. Assim, desgraçadamente, temos de mudar o país. Chiça, que vai dar trabalho.

03 junho, 2007

Mas não há uma entidade que os ponha a todos

num manicómio?
"Rússia ameaça voltar a apontar mísseis contra alvos na Europa
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou hoje voltar a apontar mísseis para alvos na Europa se os Estados Unidos não desistirem do seu plano de instalar dez mísseis interceptores na Polónia e um radar de detecção na República Checa."
in Público, 3 Junho 2007

Coment a Daniel Oliveira

http://arrastao.weblog.com.pt/arquivo/2007/06/um_discurso

Daniel,

Li o teu discurso e a moção A vencedora.
A moção não acrescenta. Repete dentro dos mesmos jargões que se podem esperar de uma esquerda dita progressista. Posições da direita progressista têm o mesmo valor em termos de atingir com sucesso (leia-se número de votantes) as necessidades do eleitorado, conquistar votos e garantir posição de poder influenciar e mudar socialmente. Esta influência só poderá ser obtida estando no poder. Logo, e porque o bloco também não é capaz de se abstrair de uma comunicação ideologicamente carregada, mantêm a distância entre si e o poder.
Tal como o bloco de esquerda se tem assumido, e o próprio nome Bloco de Esquerda é uma principal limitação, estão condenados a manter-se como franja do poder político.
Nos tempos que correm, as posições ideológicos são a primeira condição para construir o fracasso como força que pretenda vencer eleições.
“Ninguém” crê que haja uma qualquer receita teórica para a gestão social. Mesmo que haja uma necessidade de enquadramento histórico e social para tomar decisões políticas, o eleitorado procura o pragmatismo.
Esse pragmatismo é afirmado, lamentavelmente, por posições e técnicas objectivas servidas pelo marketing, a sociologia e a psicologia de massas. Ou seja, garantido por bons publicitários e directores de imagem.
A afirmação procurada pelo bloco e aprovada na moção A, com uma mensagem estruturada em grandes objectivos de interesse fundamental, ambiente, igualdade, combate à imbecilidade americana, ou à parvoíce europeia, não comunica com o eleitorado.
Outro aspecto limitador do potencial de atingir o eleitorado descontente com a política, o eleitorado “esclarecido”, à esquerda ou à direita, é a imagem central do partido bloco de esquerda: Louçã não transmite qualquer confiança. Não tem aspecto forte, nem aparece como um chefe destemido capaz de afrontar todos os interesses. Aparece, desculpa se o digo, como mais um político oportunista, de esquerda, ideologicamente carregado, e em consequência em quem não se pode confiar. Uma das medidas de avaliação do líder, será o tempo que se é capaz de ficar, mesmo que hipnoticamente, a ouvi-lo comunicar. Com Loução, tem-se vontade de mudar de canal.
É lamentável que com a fome de alternativa aos políticos e à forma de governar e estar na política, o bloco se tenha desperdiçado. Poderia ter uma posição mais importante, mais crítica no sentido de ser factor de diferenciação de atitudes e maneira de pensar a coisa pública mas continua a parecer uma reminiscência dos tempos do PSR. Mesmo que não o seja.
O espaço eleitoral de aceitação de alternativa à política tradicional, corrupta, interesseira, liberal (leia-se desumana), continua a oscilar de nova esperança em nova esperança. Em cada ciclo procuramos descobrir O homem capaz de endireitar o cronicamente torto. Sócrates, um homem que comanda um barco vazio de carga ideológica e pronto a apanhar o melhor vento que sopre, conseguiu passar essa mensagem ao eleitorado e por isso ganhou. Talvez ganhe de novo as próximas legislativas, já sem maioria, mas ainda ganhará com certeza. O torto continuará torto.
Parabéns pelo teu discurso e votos de sucesso no combate.
E sim, o consenso neo-liberal é cada vez mais real. Qual a nova ideologia que se lhe oporá? As antigas não estão municiadas para o efeito.

02 junho, 2007

Arte e mulher

Cavaco especialista em nada fazer, nada dizer

O presidente da república continua o difícil trabalho de selecionar a intervenção mais inócua que possa encontrar.

Vamos lembrar Cavaco presidente, por algo?

Era mesmo o que mais falta fazia

Um filme sem o qual não poderiamos passar. A cultuga está mesmo a atingir os píncaros da elaboração.

Ops. Aviso à navegação...

"All that is human must retrograde if it does not advance."
- Edward Gibbon

Quac.

Quac. E de novo Quac.
O governo não tem mais nada para fazer?

De retorno...

Obrigado blogger por manter os sites inactivos em banho maria tempo suficiente para os retormamos sem a chatice de recomeçar de novo.

21 junho, 2006

Be Simple!

Imaginemos que se aplica, de modo grosseiro e directo, o princípio das fractais, onde a organização do muito complexo nasce da base de igual repetição ou estruturação no simples, à empírica regra de bom senso social:
- Se cada indivíduo (leia-se sistema mais simples) cumpre a sua parte, o grupo social (ou sistema mais complexo) resulta equilibrado e harmonioso.
Que bom seria, finalmente apurar que não há muito para perceber na sociologia, na psicologia e em outras ciências sociais. Bastaria apenas compreender matematicamente que partes do todo não funcionam no ritmo ou forma necessários e ser capaz de introduzir mecanicamente, as correcções necessárias ou possíveis.

Os problemas são:
1. A matemática não produz a compreensão suficiente. Cai em equações insolúveis.
2. As ciências sociais produzem dados dificilmente equacionáveis baseados em sistemas teóricos e especulativos, apesar de também empíricos, que visam conhecer a mecânica dos sistemas e introduzir correcções que ainda consideram pouco as leis da física, química, matemática ou biologia.
3. Para incrementar o caos, assim que uma qualquer ciência, experimental ou não, produz novo conhecimento, a realidade ou objecto de análise muda de imediato e em consequência.

Conclusão: Be simple! Não estude qualquer ciência nem mais nada que não sirva para alguma coisa em concreto. Seja você mesmo(a), faça a sua parte e deixe o resto para os outros. Estes encarregar-se-ão de fazer a parte deles e comer a sua.